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Usar FGTS para dívidas não ajuda, apenas elege, diz especialista

Economista fala sobre o uso do fundo no programa Mercado

Por Veruska Costa Donato 13 abr 2026, 14h31 | Atualizado em 13 abr 2026, 14h34

O alto endividamento das famílias brasileiras tem efeitos cada vez mais visíveis no dia a dia. Juros elevados por um período prolongado e uma economia que cresce pouco formam a combinação que aperta o orçamento doméstico. Para Bruno Perri, economista-chefe da Fórum Investimentos, o impacto é direto no bem-estar. “As consequências do alto endividamento das famílias são drásticas”, afirma, ao destacar que o ambiente atual lembra a dinâmica enfrentada por empresas pressionadas pelo custo financeiro.

Renda comprometida

Segundo Perri, o comprometimento da renda já atingiu um nível preocupante. “Hoje, cerca de um terço da renda das famílias está comprometida com o serviço da dívida”, observa. Isso reduz o consumo e afeta a percepção de qualidade de vida, criando um efeito em cadeia que alcança o comércio e desacelera a atividade econômica.

Insustentável

O economista chama atenção para o caráter circular do problema. “Quanto mais difícil a situação financeira da pessoa, mais juros ela acaba pagando, até que a situação se torne insustentável”, diz. Nesse cenário, ele aponta um elemento recente que tem drenado recursos das famílias. “As apostas eletrônicas retiram dinheiro da economia real e já impactam setores como o varejo de supermercados”, afirma. A solução é muito mais profunda e passa pela saúde com o reforço de programas no próprio SUS para atender pessoas que são dependentes das apostas on line, e só criar linhas de crédito ou liberar dinheiro do FGTS para o pagamento das dívidas não resolve.

Culpa da Selic

Parte da atual pressão, segundo Perri, nasceu durante a pandemia. “Muitas famílias se endividaram aproveitando os juros baixos, mas não consideraram que as dívidas são flutuantes e acompanham a subida da Selic”, explica. Ele também destaca a falta de educação financeira. “O brasileiro olha a parcela e não o custo total, e quando entra no rotativo ou no cheque especial os juros podem chegar a 250% ao ano”, alerta.

Alívio imediato

Nesse contexto, surge a proposta de uso do FGTS para quitar dívidas de trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos. Para Perri, a medida tem um objetivo claro. “A ideia é utilizar o FGTS para limpar o nome dessas pessoas”, afirma, destacando o potencial de alívio imediato para o orçamento das famílias e possível redução da inadimplência.

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Contra o uso do FGTS

Apesar disso, o economista faz ressalvas. “Há um desvirtuamento do objetivo do FGTS”, diz, lembrando que o fundo deveria financiar projetos de longo prazo como infraestrutura e saneamento. Ele acrescenta que o trabalhador já perde com a baixa remuneração. “O FGTS frequentemente rende abaixo da inflação e da Selic”, afirma, avaliando que usar esses recursos para dívidas de curto prazo pode enfraquecer um instrumento importante para o desenvolvimento econômico. Para Bruno a intenção do governo é “ficar bem” com o eleitor de baixa renda, e contar com o voto nas urnas.

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