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Déficit externo sobe para US$ 6 bi em março e atinge 2,71% do PIB

Queda do superávit comercial e aumento de gastos com serviços e renda pressionam contas externas

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 abr 2026, 09h41

O Brasil registrou um déficit de 6 bilhões de dólares nas transações correntes em março de 2026, quase o dobro do resultado observado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo negativo foi de 2,9 bilhões de dólares, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

O aumento do déficit foi puxado principalmente pela redução do superávit comercial e pela ampliação dos gastos com serviços e renda primária, que inclui remessas de lucros, dividendos e pagamento de juros ao exterior. No acumulado de 12 meses, o rombo nas contas externas chegou a 64,3 bilhões de dólares, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB).

A balança comercial de bens continuou positiva, mas perdeu força. O superávit caiu de 7,2 bilhões de dólares em março de 2025 para 5,6 bilhões de dólares neste ano, refletindo um crescimento mais acelerado das importações, que avançaram quase 20%, enquanto as exportações tiveram alta de 9,5%.

Outro fator de pressão veio da conta de serviços, cujo déficit aumentou para 4,8 bilhões de dólares. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento das despesas com tecnologia, transporte e uso de propriedade intelectual, além do crescimento dos gastos de brasileiros no exterior. As despesas líquidas com viagens internacionais, por exemplo, subiram mais de 60% na comparação anual.

Já o déficit em renda primária chegou a 7,4 bilhões de dólares, com avanço relevante nas despesas com juros e na remessa de lucros e dividendos para fora do país, refletindo o ambiente de juros elevados e a presença de empresas estrangeiras na economia brasileira.

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Apesar do cenário mais desafiador nas contas externas, o país continuou recebendo investimentos diretos. Em março, entraram 6 bilhões de dólares nessa modalidade, valor próximo ao registrado no mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, os investimentos diretos somam 75,7 bilhões de dólares, o equivalente a 3,18% do PIB.

Por outro lado, houve saída líquida de 2,9 bilhões de dólares em investimentos em carteira no mês, indicando maior cautela dos investidores financeiros diante do cenário global. As reservas internacionais encerraram março em 362 bilhões de dólares, com queda de 9,1 bilhões de dólares em relação ao mês anterior, impactadas por variações cambiais, de preços e intervenções no mercado.

Além dos números, o Banco Central também anunciou uma revisão metodológica nas estatísticas de viagens internacionais, que elevou as receitas desse item nos últimos anos ao incorporar novas formas de registro de gastos de estrangeiros no Brasil.

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