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Copom alerta que risco fiscal pode elevar juros por mais tempo

Copom divulgou a ata da reunião que manteve a Selic e indicou que o ciclo de desinflação ainda é frágil e depende de credibilidade fiscal

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 nov 2025, 08h57 | Atualizado em 11 nov 2025, 12h45

 A política fiscal é um dos principais riscos para alta da inflação. Na ata da reunião que definiu a manutenção da Selic em 15% ao ano divulgada nesta terça-feira, 11, o Comitê de Política Monetária (Copom) alertou que a falta de disciplina nas contas públicas e o aumento do crédito direcionado podem elevar a taxa de juros neutra da economia, obrigando a permanência dos juros no maior patamar em quase 20 anos.

“O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, diz o item 8 da ata.

O texto explicita que o BC enxerga a política fiscal como peça-chave  para que a inflação volte à meta. O Comitê afirma que uma política fiscal previsível e anticíclica ajudaria a reduzir o prêmio de risco e, com isso, permitiria uma convergência mais suave dos preços.

Cenário internacional

A ata do Copom mostra que o Banco Central continua preocupado com o ambiente internacional. O documento começa destacando que o cenário externo “ainda se mantém incerto”, especialmente por causa da condução da política econômica nos Estados Unidos e das tensões geopolíticas, o que exige “particular cautela” de países emergentes.

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Cenário doméstico

No front interno, o BC vê sinais de moderação gradual na atividade econômica, mas reconhece que o mercado de trabalho segue aquecido, o que mantém pressão sobre os preços de serviços. A inflação cheia e as medidas subjacentes mostraram algum arrefecimento, porém seguem acima da meta, e as projeções para 2025 e 2026, em 4,5% e 4,2%, continuam desancoradas.

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