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China importa 38% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, diz EIA

Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa pelo estreito, rota estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 mar 2026, 16h45 | Atualizado em 3 mar 2026, 17h22

A China importa 38% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, mostram dados consultados por VEJA nesta terça-feira, 3, via Agência de Administração de Informação Energética dos EUA (EIA, na sigla em inglês). De acordo com o órgão, 5,4 milhões de barris por dia consumidos pelo país vieram pelo estreito no primeiro trimestre de 2025. No período, a via escoou, em média, 14,2 milhões de barris diários.

A Índia é o segundo maior destino do petróleo transportado pela região, com 14,78% do total — o equivalente a 2,1 milhões de barris por dia. A Coreia do Sul adquiriu 1,7 milhão de barris diários (12%), enquanto o Japão respondeu por 11,3% do volume, ou 1,6 milhão de barris por dia.

Os números ganham relevância após a Guarda Revolucionária do Irã anunciar o fechamento do estreito e afirmar que qualquer navio que tentar romper o bloqueio será incendiado. A decisão ocorre em meio à escalada das tensões após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano no fim de semana.

“O estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, disse Ebrahim Jabari, conselheiro sênior da corporação, em comunicado divulgado pela imprensa estatal.

Mesmo antes do anúncio oficial, o tráfego marítimo já havia sido praticamente interrompido. Seguradoras ameaçaram cancelar coberturas e elevar prêmios diante da escalada do conflito, que já deixou ao menos quatro petroleiros danificados, dois mortos e cerca de 150 navios retidos na região. Empresas como Gard, Skuld, NorthStandard, London P&I Club e American Club informaram que os cancelamentos passariam a valer a partir de 5 de março, conforme avisos publicados em 1º de março em seus sites.

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Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa pelo estreito, rota estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, separando o Irã da Península Arábica. A passagem tem 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, com faixas de navegação de apenas 3 quilômetros em cada sentido.

Diante desse cenário, os contratos futuros do petróleo Brent para maio avançavam 2,3%, a 79,53 dólares por barril. “A impossibilidade de o petróleo transitar por um ponto de estrangulamento relevante, mesmo que temporariamente, pode provocar atrasos significativos no fornecimento e elevar os custos de transporte, pressionando os preços globais de energia”, afirmou a EIA em nota publicada em seu site.

Para Helder França, professor da Fipecafi, o fechamento de Ormuz não deve gerar impacto imediato sobre esses países, já que os principais compradores possuem reservas significativas capazes de amortecer pressões inflacionárias nos próximos meses. “Ainda assim, é possível uma elevação global dos preços, por se tratar de uma região com infraestrutura consolidada, o que reacende o debate sobre a necessidade de diversificar a matriz energética com fontes renováveis e sustentáveis”, afirma.

Em síntese, a paralisação da navegação no Estreito de Ormuz atinge diretamente a China, um dos principais parceiros comerciais do Irã. O efeito, porém, tende a não ser imediato. Quanto mais tempo o bloqueio perdurar, maior a probabilidade de que China e demais países asiáticos sintam os reflexos no setor de petróleo.

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