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Santander tem lucro abaixo do esperado com avanço da inadimplência

Rentabilidade do banco recuou 1,4% ponto percentual em trimestre marcado pelo cenário macroeconômico adverso

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 abr 2026, 07h50 | Atualizado em 29 abr 2026, 08h08

O Santander reportou lucro líquido recorrente de 3,78 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, queda de 1,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. A informação foi divulgada em documento enviado ao mercado na manhã desta quarta-feira, 29. O resultado ficou levemente abaixo das expectativas do mercado, que projetava lucro de 4 bilhões de reais, segundo consenso do BTG Pactual.

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O banco apresentou um trimestre marcado pela disparada da inadimplência em meio ao cenário de juros elevados e forte endividamento de famílias e empresas. Além disso, o primeiro trimestre costuma ser sazonalmente mais fraco devido ao menor número de dias úteis, o que impacta a margem com clientes. Outro fator de pressão foi o nível elevado dos juros, que prejudicou os resultados da tesouraria e afetou a margem com o mercado.

Nesse contexto, a margem financeira bruta do Santander somou 15,8 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, queda de 0,7%. Dentro desse segmento, a margem com o mercado ficou negativa em 771 milhões de reais, piora relevante em relação ao resultado positivo de 97 milhões registrado no mesmo período do ano passado. Essa deterioração já era esperada pelo mercado, justamente por causa da alta da Selic: em janeiro de 2025, a taxa estava em 13,25%, contra 15% em janeiro de 2026.

Esse não foi o único fator a pressionar o banco. A inadimplência acima de 90 dias avançou 0,6 ponto percentual, passando de 2,8% no primeiro trimestre de 2025 para 3,3% no primeiro trimestre de 2026. A deterioração da carteira ocorreu tanto na pessoa física quanto na jurídica.

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Na pessoa física, o aumento concentrou-se na baixa renda, segmento mais afetado pela manutenção de um cenário econômico desafiador. Já na pessoa jurídica, a piora ocorreu entre pequenas e médias empresas (PMEs), cuja inadimplência avançou 1,4 ponto percentual em 12 meses, alcançando 6%.

Com esse cenário, o banco elevou as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) para 6,3 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, alta de 3,9% em relação aos 6,1 bilhões registrados no quarto trimestre de 2025. O montante é destinado a cobrir possíveis calotes de clientes.

Diante do ambiente mais adverso para o crédito, a rentabilidade do banco também recuou. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) caiu de 17,4% no primeiro trimestre de 2025 para 16% no primeiro trimestre de 2026.

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Em resumo, o Santander apresentou um resultado abaixo das expectativas, pressionado pela piora da inadimplência, que deteriorou a carteira de crédito e elevou as provisões. Parte desse desempenho também reflete a sazonalidade do primeiro trimestre, tradicionalmente mais desafiador para os bancos, especialmente em um ambiente de juros elevados e alto endividamento das famílias.

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