A guerra no Irã não se trava apenas com mísseis, drones ou ameaças diplomáticas. Existe uma outra frente — menos visível, mas igualmente estratégica — que se desenrola nas declarações públicas e na disputa por versões. Especialistas ouvidos no debate apontam que, em conflitos modernos, a comunicação se tornou parte central da própria estratégia militar.
O coordenador de finanças do Insper, Ricardo Rocha, lembra que o discurso político e as sinalizações de líderes também fazem parte do jogo. “Guerra também é comunicação, também é narrativa”, afirmou. Em outras palavras: declarações duras, recuos calculados ou até aparentes blefes podem ser usados para pressionar adversários e influenciar a percepção internacional sobre quem está ganhando ou perdendo o embate.
Já o doutor em psicologia clínica e cultura Sam Cyrous destacou que o cenário atual mistura duas disputas paralelas: a militar e a simbólica. “Tivemos um conflito bélico, mas também um conflito de narrativas”, disse. Curiosamente, segundo ele, há um raro ponto de convergência entre lados opostos: a ideia de que o povo persa é pacífico — algo mencionado tanto por líderes ocidentais quanto pelo próprio regime iraniano. No fim das contas, fica claro que, além das armas, cada lado tenta conquistar algo igualmente valioso em tempos de guerra: a opinião pública.







