O avanço das mudanças climáticas já é tratado como uma questão econômica e de planejamento público. A deputada Erika Kokay (PT/DF)defende a criação de uma estratégia integrada para enfrentar o problema. “É preciso um plano nacional que una União, estados e municípios para mitigar as consequências climáticas”, afirma. Segundo ela, a resposta passa pela articulação de diferentes instituições. “Defesa Civil, INPE e Embrapa precisam atuar de forma orgânica, com celeridade entre a observação científica e a formulação de políticas públicas”, diz, destacando ainda a necessidade de estruturas operacionais espalhadas pelo país.
No campo, o impacto é imediato. Para Gustavo Junqueira, colunista de agro de Veja, o tema climático não deve sair da agenda econômica. “Eventos como guerras e o uso contínuo de combustíveis fósseis geram efeitos permanentes no clima”, afirma. Ele avalia que o volume de dados já disponível não resolve sozinho o problema. “O que falta é tomada de decisão sobre o que deve ser feito por meio de políticas públicas”, diz, acrescentando que o mundo ainda dependerá do petróleo por um período prolongado e, por isso, a adaptação se torna inevitável.
O resultado dessa combinação recai diretamente sobre o produtor rural. “O clima virou uma bomba financeira para o agronegócio brasileiro”, afirma Junqueira. Ele explica que o setor vive uma “tripla alavancagem”: produtiva, com até três safras ao ano; financeira, com crédito caro; e climática, ao operar sem proteção contra eventos extremos. “Uma falha climática não gera só quebra de safra, pode provocar uma quebra da economia como um todo”, conclui, classificando o momento como uma “crise de estrutura de capital com gatilho climático”.







