Datas: Mister Sam, Eduardo de Almeida e Adriano Goldschmied
As despedidas que marcaram a semana
Vá lá, não era exatamente um mestre da poesia, autor de letras líricas que figurariam no cânone da MPB ou do pop brasileiro. Contudo, deve-se louvar a pegada popular, popularíssima, do DJ argentino Santiago Manalti, conhecido como Mister Sam, personagem fundamental da disco music dos anos 1970 e 1980 no país. Para quem não liga o nome à obra, é sempre bom citar dois dos grandes sucessos dançantes do portenho na dicção e no rebolado de Gretchen, Freak le Boom Boom, de 1979, e Conga, Conga, Conga, de 1981. Como ocorreu com vários outros clássicos trash, com o passar dos anos, ganharam status cult e até hoje animam pistas de dança. Sam também produziu discos de outros artistas, como Sharon, Rita Cadillac, Nahim e Gugu Liberato. A criatura mais famosa, por respeito, homenageou o criador nas redes sociais. “Hoje me despeço de alguém que não foi apenas um compositor… mas sim, parte da minha história, da minha voz e de tantos momentos que marcaram minha trajetória artística”, postou Gretchen. “Ah como a gente brigava. Mas depois de dois dias você já me mandava um oi.” Sam morreu em 13 de abril, aos 80 anos.
A discrição arquitetônica
A discrição atávica de Eduardo de Almeida, um dos expoentes da chamada arquitetura paulista, ao lado de nomes como Joaquim Guedes e Paulo Mendes da Rocha, impediu que ele ganhasse o merecido relevo. O uso do concreto aparente, as rampas e os pés-direitos altos eram a marca do arquiteto, cuja obra mais celebrada é a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, projetada com Rodrigo Mindlin Loeb, nas instalações da Universidade de São Paulo, de 2013. Almeida morreu em 12 de abril, aos 92 anos.
O inventor dos jeans modernos
Quase metade da população mundial usa jeans — apenas no ano passado, o faturamento das peças de tecido azul chegou a 98 bilhões de dólares. A imensa probabilidade: estar usando uma calça ou jaqueta desenhada ou ao menos inspirada no trabalho do italiano Adriano Goldschmied, o “padrinho do denim”. Foi ele quem introduziu, primeiro na Europa e depois nos EUA, novas modelagens, lavagens e acabamentos. Suas ideias fizeram nascer uma indústria que saía das tecelagens, passava pelas lojas e chegava às lavanderias. Fascinado por seu modelo envelhecido? Coisa de Goldschmied, que fez do ar precário coisa elegante. Viciada no mom jeans? Agradeça a Goldschmied, nome por trás de etiquetas como Gap 1969, Diesel e Replay. Ele morreu em 5 de abril, aos 82 anos, mas a notícia só foi divulgada na semana passada.
Publicado em VEJA de 17 de abril de 2026, edição nº 2991





