Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 7,99

O que fica do modelo

O próximo presidente da economia que já serviu de inspiração para os vizinhos sul-americanos terá de lidar com a controvertida herança deixada por Bachelet

Por Angela Nunes, de Santiago
15 dez 2017, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 17h11
  • O Chile foi a estrela da América Latina nas últimas duas décadas. O país assinou tratados de livre-comércio, entre os quais a Aliança do Pacífico, passou a negociar frutas no mundo todo em condições vantajosas e se tornou o maior exportador de vinhos para o Brasil. Duas de suas universidades estão entre as quatro melhores da América Latina. Com uma economia menor que a do Estado de São Paulo, o país ostenta um PIB per capita que supera o do Distrito Federal, a unidade federativa mais abastada do Brasil. Os dados macroeconômicos chilenos são bons. A taxa de desemprego está em 7% (a brasileira é de mais de 12%). A inflação é baixa, de apenas 3% ao ano, e o PIB cresceu em média 3,5% anualmente desde 2010. A previsão de crescimento para este ano é de 1,3% (a do Brasil é de 0,7%).

    A situação, porém, já foi bem melhor. Na década de 90, a economia cresceu em média 6% ao ano, embora o país continue muito dependente do cobre, minério do qual é o maior exportador mundial. Quando o preço internacional do cobre cai, o governo tem menos dinheiro para executar o Orçamento. Quando o valor sobe, sobra verba para os gastos públicos, incluindo os programas sociais. “O Chile tem dificuldade de atrair indústrias por ser menor que vizinhos como o Brasil e a Argentina. Para grandes empresas pode não fazer sentido instalar suas fábricas em um país com um mercado pequeno e a mão de obra mais cara da região”, diz a economista Patrícia Krause, da consultoria de risco Coface, em São Paulo.

    O governante do Chile nos próximos quatro anos será definido no domingo 17, em uma disputa entre o ex-­presidente Sebastián Piñera e o senador socialista Alejandro Guillier. Nas últimas pesquisas de opinião, Piñera aparecia com apenas 2 pontos porcentuais à frente do adversário, que recebeu o apoio de Michelle Bachelet, a presidente socialista que está de saída. Seja qual for o resultado, o próximo mandatário terá a seu favor a expectativa de que o preço do cobre volte a subir, uma vantagem da qual Bachelet não pôde desfrutar em seu segundo mandato, iniciado em 2014.

    Menos contratações – Christian Valdivieso, de 42 anos, vive em Santiago com a esposa, Sujey, e a filha de 6 anos. Ele trabalha em um site que ajuda as pessoas a sublocar suas casas e apartamentos. O negócio prosperou devido à desaceleração econômica nos últimos anos. “As reformas tributária e trabalhista de Bachelet levaram muitas empresas a congelar as contratações, e todos tiveram de arrumar uma renda extra”, diz Valdivieso, que viveu no Brasil entre 1981 e 1992. Mas ele não pensa em mudar-se do país novamente. “Aqui temos qualidade de vida. Com qualquer emprego é possível viver de maneira digna.”
    Menos contratações – Christian Valdivieso, de 42 anos, vive em Santiago com a esposa, Sujey, e a filha de 6 anos. Ele trabalha em um site que ajuda as pessoas a sublocar suas casas e apartamentos. O negócio prosperou devido à desaceleração econômica nos últimos anos. “As reformas tributária e trabalhista de Bachelet levaram muitas empresas a congelar as contratações, e todos tiveram de arrumar uma renda extra”, diz Valdivieso, que viveu no Brasil entre 1981 e 1992. Mas ele não pensa em mudar-se do país novamente. “Aqui temos qualidade de vida. Com qualquer emprego é possível viver de maneira digna.” (Pablo Sanhueza Gutierrez/Archivo Latino/)

    Bachelet deixa para o sucessor uma herança controvertida, construída com decisões e reformas equivocadas. Para cumprir a promessa de oferecer vagas gratuitas no ensino superior a 60% dos estudantes mais pobres, Bachelet aumentou os impostos para as empresas. (A tributação era mais baixa para as que optassem por reinvestir o lucro no país.) Além disso, ela fez uma reforma trabalhista que fortaleceu os sindicatos — na contramão do que tem ocorrido na maioria dos países, inclusive o Brasil. Só 30% dos chilenos aprovam a reforma tributária e 37% aplaudem a trabalhista, segundo uma pesquisa do instituto Cadem. “As reformas tributária e trabalhista desestimularam o investimento”, diz o presidente da Sociedade Nacional de Mineração do Chile, Diego Hernández. E completa: “Foram medidas paternalistas, que não favorecem a criação de emprego”. Aparentemente, o sonho do Chile de se tornar o primeiro país desenvolvido da América Latina parece estar um pouco mais distante.

    Continua após a publicidade

     

    Publicado em VEJA de 20 de dezembro de 2017, edição nº 2561

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA RELÂMPAGO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.