O movimento de Caiado que pode mudar a eleição
A entrada do governador no PSD embaralha a sucessão presidencial e expõe a disputa pelo eleitor do centro, hoje o verdadeiro fiel da balança
O anúncio de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, de que passa a integrar o PSD ao lado de Eduardo Leite e Ratinho Júnior, caiu como uma peça inesperada no xadrez eleitoral de 2026. A movimentação surpreendeu o meio político e sinalizou que a corrida pelo posto de principal adversário de Lula entrou numa fase decisiva de afunilamento (este texto é um resumo do vídeo acima).
Mais do que um gesto partidário, a filiação de Caiado inaugura um período de negociações intensas nos bastidores, com prazo definido: até abril, governadores interessados em disputar a Presidência precisam deixar seus cargos. O relógio passou a correr — e o centro-direita tenta evitar ficar fora do jogo.
O que muda com a chegada de Caiado ao PSD?
Para José Benedito da Silva, editor de política de VEJA, o impacto imediato do movimento é menos óbvio do que parece. A leitura mais superficial sugere que o PSD estaria sinalizando candidatura própria, afastando-se tanto de Lula — apesar de ocupar ministérios no governo — quanto do bolsonarismo.
Mas a jogada é mais sofisticada. Ao reunir três governadores com densidade eleitoral, Gilberto Kassab fortalece o partido como ator central da negociação presidencial. O PSD passa a ter mais “trunfos” para dialogar com todos os lados: com Flávio Bolsonaro, caso ele cresça; com Lula, em alianças regionais; ou até para tentar, mais uma vez, atrair Tarcísio de Freitas para o jogo.
O partido se coloca como uma espécie de corretor político do centro, capaz de liberar palanques estaduais e maximizar ganhos no Congresso — especialmente no Senado.
A candidatura de Tarcísio saiu mesmo do radar?
O movimento de Caiado também reforça uma percepção que vem ganhando força: a de que Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, está cada vez mais distante de uma candidatura presidencial. O encontro marcado com Jair Bolsonaro pode esclarecer essa equação, mas, até aqui, os sinais apontam para a reeleição estadual.
Nos bastidores, no entanto, Tarcísio ainda é visto como o nome mais “palatável” para unir centro-direita e mercado — justamente por não carregar o sobrenome Bolsonaro. É por isso que o PSD mantém a porta aberta: se houver uma virada, Kassab quer estar no centro da articulação.
Enquanto isso, Caiado surge como alternativa concreta: um nome com discurso duro na segurança pública, apelo conservador e menor rejeição nacional.
Existe espaço para uma centro-direita fora da polarização?
Do ponto de vista eleitoral, Mauro Paulino, colunista de VEJA especialista em opinião pública, lembra que o Brasil vem se organizando, eleição após eleição, em três grandes blocos: um terço à esquerda, um à direita e um terceiro grupo — decisivo — que se mantém no centro.
Esse eleitor do meio define o voto mais tarde, observa o clima da campanha e tende a migrar conforme a conjuntura. É justamente esse segmento que movimentos como o de Caiado, Leite e Ratinho buscam capturar.
“O que tem prevalecido é que esse terço central acaba sendo o fiel da balança”, afirma Paulino. Um discurso menos radical e mais pragmático pode, sim, atrair esse eleitor — sobretudo se o embate Lula versus Bolsonaro voltar a se mostrar cansado.
Quem ocupa cada campo na disputa até agora?
Apesar das movimentações, o desenho principal segue relativamente claro. Lula está posicionado como candidato da centro-esquerda, com forte recall e máquina governamental a seu favor. Flávio Bolsonaro desponta como o nome mais identificado com a direita ideológica e com a base bolsonarista.
Entre esses dois polos, abre-se um espaço incômodo e disputado: o da centro-direita viável. É ali que Caiado tenta se inserir — e onde Tarcísio ainda é lembrado como o nome ideal, caso decida jogar.
O problema é o tempo. Enquanto a direita discute nomes e arranjos, Lula já está em campanha.
O centro será protagonista ou apenas figurante?
O anúncio de Caiado não resolve a equação, mas acelera o debate. Ele inaugura uma fase em que decisões precisarão ser tomadas — e adiadas não poderão mais ser.
Nos próximos dois meses, o centro-direita terá de responder a uma pergunta central: vale insistir em uma candidatura própria, correndo o risco da fragmentação, ou apostar em um nome mais competitivo, mesmo que isso signifique engolir diferenças internas?
A resposta a essa pergunta pode definir não apenas quem será o anti-Lula, mas se haverá, de fato, uma alternativa capaz de tirar a eleição do trilho da polarização.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.






