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O impacto da derrota de Lula no Congresso

A derrubada dos vetos do presidente fragiliza garantias históricas do licenciamento e acentua a crise entre os Poderes

Por Matheus Leitão 27 nov 2025, 19h16 •
  • O Congresso confirmou nesta quinta-feira, 27, o que já era esperado: derrubou a maior parte dos vetos do presidente Lula à nova Lei de Licenciamento Ambiental, exatamente como previsto pela coluna na terça-feira. O resultado aprofunda a crise política que se desenhou depois da indicação de Jorge Messias ao Supremo e da movimentação que envolveu Rodrigo Pacheco. Há semanas o Parlamento vinha acumulando sinais de resistência e, agora, formaliza uma derrota pesada para o governo.
    A derrubada de 56 dos 63 vetos devolve ao texto pontos que flexibilizam de forma ampla o licenciamento ambiental.Entre eles estão o licenciamento simplificado para atividades de médio potencial poluidor, a ampliação de casos em que não se exigem estudos de impacto ambiental e até a dispensa de consulta a povos indígenas e comunidades quilombolas.

    Esses dispositivos haviam sido vetados pelo Planalto justamente por fragilizarem garantias que levaram décadas para ser construídas. As escolhas do Congresso reconfiguram esse sistema de forma que desarticulam a política ambiental que o Brasil consolidou desde os anos 1980 e 1990, período em que o país passou a ancorar seu desenvolvimento na ideia de responsabilidade compartilhada e segurança jurídica.

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    No plano prático, o país se afasta de padrões mínimos que hoje regem o investimento global. O capital internacional tem sido transparente ao exigir previsibilidade, governança e estudos robustos de impacto — e não o contrário.

    Ao reduzir exigências, o Congresso entrega à economia brasileira um problema: projetos mais vulneráveis a contestações, menor aceitação em mercados que priorizam critérios ambientais e um ambiente de negócios instável.

    É irônico que setores que dizem defender “agilidade” coloquem sobre os próprios empreendedores o risco de judicialização permanente.

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    E esse é o próximo capítulo provável. O Observatório do Clima deve questionar a lei no Supremo, que poderá restabelecer parte das garantias suprimidas pelo Legislativo. Caso a Corte intervenha, abrirá uma nova frente de desgaste. O Executivo já tem uma relação tensa com o Congresso e, se o Supremo for acusado de “ajudar o governo”, como setores conservadores certamente afirmarão, o país entra em um cenário de conflito institucional mais amplo do que o existente hoje.

    O licenciamento ambiental brasileiro nasceu para impedir abusos, ordenar o território e dar segurança a quem investe. Não foi obra de um governo, mas de uma construção técnica, jurídica e social que resistiu por décadas. A decisão desta quinta representa um retrocesso que o país não precisava viver, ainda mais no momento em que tenta mostrar alguma liderança climática logo após sediar a COP 30.

    O Brasil perde quando abre mão do que funciona. E o que foi derrubado agora fez o país funcionar melhor por muitos anos.

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