Centrão dá prazo para Flávio Bolsonaro e flerta com Lula
Cresceu entre políticos de centro, conhecidos por farejar o poder, a percepção de que o presidente pode ser reeleito
Fiel da balança nas votações no Congresso, o Centrão defende a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), à Presidência da República, de preferência com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu padrinho político.
Esse plano foi colocado em banho-maria, momentaneamente, porque o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho mais velho do capitão, anunciou ter sido escolhido pelo pai para concorrer ao Palácio do Planalto e se lançou na disputa.
A reação inicial de líderes do Centrão — como os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda — foi negar adesão à postulação de Flávio, que não consideram competitivo o suficiente para impedir a reeleição de Lula.
Mesmo assim, Nogueira e caciques da direita decidiram dar um prazo, antes de anunciar apoio a outro nome para a Presidência, para que o primogênito de Bolsonaro tente se mostrar viável. O limite é março e foi estabelecido porque os governadores que quiserem disputar o Planalto terão de deixar seus cargos até abril. É o que pode ocorrer com Tarcísio, Ronaldo Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais) e Ratinho Jr (Paraná).
Desafio radical
Pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira, 16, deu fôlego à pré-candidatura de Flávio, que também enfrenta a resistência de setores do mercado. Segundo o levantamento, ele aparece em segundo lugar numa simulação de primeiro turno, com 23%, atrás de Lula, com 41%, mas à frente de Tarcísio, com 10%.
O problema, alegam expoentes do Centrão, é que a rejeição do senador é maior do que a do governador, que teria um potencial de crescimento maior. Até março, Flávio terá de conquistar o eleitor moderado, suavizar sua imagem e, principalmente, convencer os antigos aliados de seu pai de que poderá vencer a corrida presidencial em 2026.
Governistas de carteirinha
Conhecido por aderir a todo e qualquer governo, de direita ou esquerda, não importa, o Centrão não é um bloco homogêneo. Por estratégia, mantém pernas em canoas diversas. Com a recuperação da popularidade de Lula, o grupo intensificou o flerte com o presidente.
A Genial/Quaest perguntou aos deputados federais quem é o favorito para vencer a eleição ao Planalto. Em junho, 50% deles diziam que era a oposição, e apenas 35% respondiam Lula. Agora, está 43% a 42% a favor do petista.
Entre os deputados independentes, que não estão alinhados nem ao governo nem à oposição, o presidente ganhou ainda mais prestígio. Em junho, 62% deles afirmavam que Lula não conseguiria reeleição, ante 23% em sentido contrário. Agora, 40% falam que o petista é o favorito, enquanto 30% citam a oposição. Essa turma conhece como poucos o rumo dos ventos.







