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Após semana de desgastes, Bolsonaro e Moro trocam afagos

Presidente chamou o ministro da Justiça de "patrimônio nacional" e fez um agradecimento a ele por ter deixado a magistratura

Por Eduardo Gonçalves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 ago 2019, 16h21 • Atualizado em 29 ago 2019, 20h28
  • O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro, trocaram afagos nesta quinta-feira, 29, durante o anúncio de um projeto piloto para reduzir os índices de homicídios no Brasil, no Palácio do Planalto. Bolsonaro chamou Moro de “patrimônio nacional”, enfatizou que seus ministros “têm liberdade de buscar soluções” e fez um agradecimento especial a ele por ter deixado a carreira de juiz federal.

    “Obrigado, Sergio Moro,  você abriu mão de 22 anos de magistratura para não entrar numa aventura, mas sim na certeza de que todos nós juntos podemos, sim, fazer melhor pela nossa pátria”, disse o presidente. Alguns minutos antes, Moro elogiou o chefe, afirmando que partiu dele as orientações para o programa batizado de “Em Frente, Brasil”. “Esse projeto só é possível através da união do governo federal para enfrentamento dessa criminalidade”, acrescentou.

    Num claro aceno público antes da cerimônia, Bolsonaro e Moro desceram juntos a rampa do Planalto, se abraçaram no meio do trajeto e foram aplaudidos pelos convidados, a maioria parlamentares do PSL. Depois, sentaram-se um ao lado do outro.

    O programa anunciado nesta quinta visa unir forças de segurança municipal, estadual e federal para combater a violência urbana. Para isso, selecionadas na fase inicial cinco cidade de cada região do país. São elas: Ananindeua (PA), Paulista (PE), Cariacica (ES), São José dos Pinhais (PR) e Goiânia (GO).

    Nas últimas semanas, o relacionamento entre o presidente e o seu ministro mais popular teve momentos de estremecimento. O atrito chegou ao ápice na semana passada com a intenção de Bolsonaro de interferir em órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Coaf. O presidente chegou a dizer que poderia demitir até o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, que é próximo de Moro e foi escolhido por ele. Questionado se isso não seria uma interferência direta, o presidente frisou que quem manda na PF é ele.

    Bolsonaro já estava irritado com Moro desde julho, quando soube da sua movimentação para reverter a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, de proibir investigações iniciadas a partir de informações transmitidas pelo Coaf sem autorização judicial. Toffoli tomou a decisão em cima de um pedido do advogado Frederick Wassef, que defende o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no caso da suspeita de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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