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Rastreabilidade dá acesso a mercado premium

Produtos paraenses são exemplos do impacto positivo do selo de indicação geográfica para as regiões, como ampliação de visibilidade

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 dez 2025, 20h16 • Atualizado em 12 dez 2025, 20h22
  • Diante de regras internacionais cada vez mais rigorosas — como as normas de desmatamento zero e os mecanismos de due diligence — o selo de origem passou a operar como um verdadeiro passaporte comercial, capaz de reduzir riscos reputacionais e jurídicos. Cresce, assim, a preocupação de importadores em acessar informações verificáveis sobre a trajetória dos produtos, o que torna a rastreabilidade um requisito essencial para o acesso a mercados premium e para a garantia de que as cadeias produtivas estejam alinhadas às exigências futuras. Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 150 indicações geográficas registradas, com produtos regionais que conquistam reconhecimento internacional e proteção de origem. Mais do que um distintivo comercial, o selo se consolida como ferramenta de desenvolvimento econômico e valorização cultural.

    Cidade conhecida por abrigar a terceira maior colônia japonesa do Brasil, Tomé-Açu, no Pará, é um exemplo concreto desse impacto positivo. Atualmente, graças à certificação, o Japão importa cerca de 250 toneladas de cacau produzidas pela Cooperativa Mista de Tomé-Açu (CAMTA). O processo teve início em 2019, a partir de um projeto apoiado pela JICA, a Agência de Cooperação Internacional do Japão, quando havia interesse em inserir os produtos locais no mercado japonês, mas faltava estrutura técnica para viabilizar a iniciativa. Esse impulso veio com a atuação do Sebrae, que ofereceu assessoria especializada, diagnósticos e consultorias voltadas à organização da governança local, à articulação dos produtores e à preparação da documentação necessária para o pedido de Indicação Geográfica. “A primeira remessa para o Japão foi um marco”, afirmou Keiti Oppata, produtor e presidente da cooperativa. A certificação ampliou a visibilidade do cacau amazônico e fortaleceu, simbolicamente, a rota histórica da imigração japonesa na região.

    No Pará, outro exemplo emblemático é o queijo de búfala da Ilha do Marajó. Reconhecida pela produção artesanal e pela qualidade da matéria-prima, a certificação de origem trouxe segurança jurídica e abriu novas oportunidades de mercado. Dona de uma criação de búfalos, a empresária Gabriela Gouvêa transforma o leite em queijo tradicional e também aposta na experiência gastronômica como forma de aproximar turistas da cultura local. O selo impulsionou não apenas os negócios da fazenda da família, mas o turismo na ilha, marcada por costumes singulares — onde, por exemplo, ainda é possível ver policiais circulando em carros puxados por búfalos, já que não há tráfego regular de automóveis.

    Atualmente, quatro produtos do Pará possuem registro de Indicação Geográfica: o cacau de Tomé-Açu, a farinha de mandioca de Bragança, o queijo do Marajó e o guaraná da Terra Indígena Andirá-Marau, território que se estende também pelo Amazonas. Por meio de consultorias especializadas, o Sebrae atua como agente estruturante desses processos, auxiliando produtores desde a organização coletiva até o registro formal. Em um cenário de cadeias globais cada vez mais reguladas, o selo de origem tornou-se um instrumento central para assegurar rastreabilidade e conformidade socioambiental. Para muitos importadores, ele funciona como um certificado que atesta não apenas a procedência geográfica, mas também padrões de produção associados a boas práticas ambientais, respeito às normas trabalhistas, regularidade fundiária e transparência logística.

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