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Lu Lopes: aulas de diversão para a família, sem o celular

Sucesso no teatro e na TV no papel da Palhaça Rubra, a artista inaugurou um workshop destinado a ensinar pais e filhos a brincar juntos

Por Adriana Dias Lopes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jan 2020, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 14h59
  • Qual é o perfil da família que procura esse tipo de workshop? Ao contrário do que muitos possam imaginar, não se trata de casais à beira da separação ou filhos perdidos, com depressão. São famílias que se desconectaram. As pessoas se encontram em casa depois do trabalho e da escola e não interagem. Cada uma fica no seu próprio universo.

    A culpa é do celular? Jamais peço que reduzam o tempo de uso dos aparelhos eletrônicos. Isso não funciona para adultos, tampouco para crianças. A atitude deve ser espontânea. Se as pessoas estão gastando todo o tempo de lazer grudadas nos celulares é porque o que existe ao redor não anda muito interessante. Acredito, portanto, que o ambiente tem de ser mais gostoso e atraente.

    Como são as aulas? Todos saem com uma lição de casa: uma lista de atividades prazerosas e divertidas que podem ser praticadas em grupo. Todos juntos. Ela é feita em cima do que cada um gosta de fazer. Isso não significa necessariamente ter de viajar e passear no parque de bicicleta. Já tive famílias que saíram daqui simplesmente com dicas de filmes para ver junto na Netflix. Outras com a sugestão de passar um fim de semana acampadas na sala de casa ou tomar café na cama juntas aos domingos.

    Os pais deveriam passar mais tempo em casa? É claro que não dá para diminuir o tempo de trabalho do casal na imensa maioria das vezes. Mas também não acredito na máxima que diz que não importa a quantidade de tempo que se passa com os filhos, mas a qualidade. Muitas vezes priorizamos situações erradas. Não negociar no trabalho um dia de folga para ficar em casa com o filho doente, por exemplo, está errado. Ou para comemorar um feito, como passar no vestibular. Não estamos mais fazendo isso.

    Qual é o motivo dessa desconexão? A vida moderna criou um paradoxo nas famílias. Por um lado, o papel de cada um deixou de ser congelado. O pai faz as funções da mãe de antigamente, como cuidar dos filhos, ir ao supermercado e à reunião de escola. A mãe paga as contas tanto ou quanto o pai fora de casa. A avó faz as vezes da mãe. Isso é libertador porque permite que as pessoas sejam honestas com elas mesmas na intimidade. E, contudo, a sociedade ainda cobra posturas conservadoras. Sentimos culpa porque no fundo ainda tentamos seguir fórmulas mesmo quando não concordamos com elas.

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    E, no entanto, as pessoas continuam insistindo em formar família? Talvez seja a forma mais eficaz e insubstituível de sobrevivência da espécie, porque é protetora. Independentemente do formato que tiver. Mas, se não sentirmos prazer, isso não funcionará muito. Por isso é fundamental aprender a se divertir.

    Publicado em VEJA de 5 de fevereiro de 2020, edição nº 2672

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