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Warren Buffett: 2025 marcou a despedida do oráculo

Ele promete entregar pílulas de sabedoria financeira todo novembro em mensagens no Dia de Ação de Graças

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 dez 2025, 06h00 • Atualizado em 24 dez 2025, 09h45
  • A aposentadoria de Warren Buffett, aos 95 anos, anunciada para o apagar das luzes de 2025, simboliza o fim de uma era do capitalismo americano. Em um momento em que o estereótipo de jovens investidores e empreendedores é o daqueles que esperam enriquecer rapidamente (seja por meio de uma aposta de mestre no mercado de ações, seja com uma ideia genial que em pouco tempo passa a valer bilhões), a estratégia consagrada por Buffett parece deslocada no tempo. Trata-se de pagar um preço justo por ações de empresas robustas e com boas perspectivas de trazer rentabilidade no longo prazo. Nada de pressa, portanto. Guiando-se por esse princípio simples e por um faro inigualável para bons negócios — treinado pelo hábito incansável e disciplinado de ler balanços de empresas madrugadas adentro, Buffett transformou uma indústria têxtil falida, a Berkshire Hathaway, comprada seis décadas atrás por uma pechincha, em um conglomerado empresarial de 1,1 trilhão de dólares, com participações acionárias em ícones corporativos como Coca-Cola, American Express e Apple. Com uma fortuna pessoal de 168 bilhões de dólares (99% da qual ele prometeu doar para filantropia), Buffett ficou conhecido como o “Oráculo de Omaha” (sua cidade natal, no estado de Nebraska), pois sempre que investe em uma empresa, o valor de seus ativos dispara.

    Sua influência é tamanha que, em mais de uma ocasião, foi chamado para dar conselhos a presidentes — republicanos e democratas. Na crise financeira de 2008, por exemplo, ele aceitou socorrer o banco Goldman Sachs e o gigante industrial General Electric, dando o selo Buffett de confiabilidade para os negócios. O Oráculo formou uma geração de gestores e investidores. Sua substituição na presidência da Berkshire Hathaway por Greg Abel foi arquitetada para garantir a continuidade de sua fórmula de sucesso. As cartas com dicas de investimento que Buffett divulgava por ocasião da assembleia anual de acionistas de sua empresa deixarão, infelizmente, de existir. Mas ele promete entregar pílulas de sabedoria financeira todo novembro em mensagens no Dia de Ação de Graças. Na mais recente, filosofou sobre o quanto teve sorte na vida.

    Publicado em VEJA de 24 de dezembro de 2025, edição nº 2976

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