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Artigo: Ganhos colaterais

Incluir benfeitorias para a sociedade nas obras é uma forma de ajudar o Brasil

Por José Ricardo Lemos Rezek
19 dez 2025, 06h00 •
  • Foi numa manhã de sábado, enquanto acompanhava minha filha na aula de patinação, que conhecemos Julika. A menina, então com 14 anos, praticamente voava com seus patins sob o olhar atento do treinador e não poupava manobras radicais.

    Conversa vai, conversa vem, descobrimos que a vida de Ana Júlia, seu nome verdadeiro, não era fácil. Natural de Sorocaba, de origem muito humilde, ela não tinha condições de ter os patins adequados. Um treinador, que viu nela um potencial reprimido, a ajudava sem cobrar nada. Decidimos, então, patrocinar Julika e seu treinador, Roger. Hoje, ela acumula títulos de campeã mundial na categoria Roller Freestyle, modalidade Park, bicampeã sul-americana e tricampeã brasileira. Entendo pouquíssimo de patins, mas sei que são conquistas relevantes no esporte. O tempo passou e aquele patrocínio inicial já não é tão necessário. Com renda própria, a atleta, hoje com 16 anos, mais do que ajuda na sobrevivência da família, estuda e faz aquilo que gosta. A menina que tinha quase tudo para dar errado, no conceito de oportunidades de crescimento profissional e financeiro, deu certo. Com muita habilidade, é uma das promessas de mais medalhas para o Brasil. E quem ganha é a sociedade, além do esporte brasileiro.

    “De origem muito pobre, Julika se tornou campeã mundial em patinação”

    Quantas Julikas andam por aí, se virando e buscando espaço neste mundo altamente competitivo? E o que isso tem a ver com o meu negócio? Tem tudo a ver. Se a vida dela mudou, a minha também. Apesar de uma experiência pequena, quando pensamos neste país gigante e com enorme desigualdade social, dar impulso àquela atleta agrega valor ao grupo empresarial, gera superávit de bem-estar pessoal, cria inspiração para os colaboradores. Investir é o verbo de quem busca lucro, sem dúvida. Mas compartilhar esse investimento com benfeitorias para quem precisa é a premissa da responsabilidade social. Não se trata de fazer para ser visto. Trata-se de realizar obras e projetos que tenham repercussão positiva colateral para muitas pessoas, gratuitamente.

    Quando nós levamos conectividade para o agronegócio nos pontos mais distantes do país, geramos, também, oportunidade de acesso digital a escolas, postos de saúde e domicílios. Da mesma forma, quando se criam enormes conjuntos habitacionais, ofertando toda a infraestrutura, e prédios para abrigar serviços públicos, estamos compartilhando bem-estar e qualidade de vida sem exigir contrapartida, desonerando o poder público para outros investimentos. Isso é pouco, repito, mas é muito para quem nada tem.

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    Vamos começar mais um ano, e sempre é desafiador. Temos projetos e metas. Se uma pequena parcela dos planos incluir ganho colateral para a sociedade, o Brasil vai mudar, aos poucos, mas se transformará. Tendo lucro e compartilhando qualidade de vida, investindo na sociedade direta e indiretamente, agregamos valor ao que fazemos no nosso dia a dia. E a Julika? Ela se consagrou campeã mundial no Japão, na modalidade Park, em novembro. Errou na primeira volta, respirou fundo e acertou tudo na segunda.

    José Ricardo Lemos Rezek é CEO do Grupo RZK

    Os textos dos colunistas não refletem necessariamente as opiniões de VEJA NEGÓCIOS

    Publicado em VEJA, dezembro de 2025, edição VEJA Negócios nº 21

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