Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 7,99
Imagem Blog

Ricardo Rangel

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO

O ataque à melhor das ideias

A demonização do liberalismo é prejudicial para o Brasil

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jan 2022, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 12h19
  • O liberalismo, filosofia política criada na Inglaterra do século XVII, tem por base uma ideia simples: todos os seres humanos são livres e iguais. É uma ideia tão repetida que chega a ser banal. Mas não era nada banal naquela época, quando se acreditava que nobres eram melhores do que plebeus, ricos eram melhores do que pobres e homens eram melhores do que mulheres. Quando havia servidão na Europa e escravidão no resto do mundo.

    A tese liberal implicava que qualquer um, até um servo da gleba, tinha o mesmo valor que o rei ou o papa — e, portanto, os mesmos direitos e deveres. Era uma tese subversiva, que fomentaria dezenas de revoluções — incluindo a independência americana, a Revolução Francesa (que criou a palavra “esquerda” para identificar a posição liberal) e a Inconfidência Mineira — e mudaria a face do mundo. Todos os países desenvolvidos hoje, sem exceção, são democracias liberais; a Constituição brasileira é liberal.

    A ideia de que todos somos livres e iguais fundamenta quase todos os valores de nossa sociedade. Dela derivam liberdade de religião e separação entre Estado e Igreja; liberdade de pensamento e de expressão, de imprensa. Igualdade entre sexos e raças, direitos civis, direitos humanos e das minorias, livre associação, liberdade econômica, livre-iniciativa, direito à propriedade.

    Foram ou são bandeiras liberais a abolição da escravatura, a campanha dos direitos civis nos Estados Unidos, o sufrágio universal, a independência das colônias, o feminismo (pelo menos o não radical), a luta contra o racismo e o nazifascismo e muito mais. Até o identitarismo, sumamente iliberal em seu esforço de cancelar e calar quem não reza pela cartilha, tem por base um valor liberal: o respeito e a valorização da diversidade.

    “A esquerda é auxiliada no esforço de desconstrução por reacionários envergonhados”

    Continua após a publicidade

    Apesar disso, no léxico político brasileiro não há palavra mais enxovalhada do que liberalismo. A esquerda diz que liberais são racistas e escravocratas, fascistas e misóginos, e dá a entender que só pensam em dinheiro e não estão nem aí para o sofrimento do povo. É estapafúrdio, porque ninguém tem currículo semelhante ao dos liberais no combate ao preconceito e a opressão, e, até meados do século passado, quase todas as iniciativas sociais no mundo, como legislação trabalhista e educação pública e gratuita, foram liberais. No Brasil, nos catorze anos em que a esquerda ficou no poder, segurança, saúde, educação e saneamento em nada melhoraram, e a política social que mais deu certo foi o Bolsa Família, criado por liberais.

    A esquerda é auxiliada no esforço de desconstrução por conservadores e reacionários envergonhados, que se afirmam liberais ou “liberais em economia” — sugerindo que “todos somos livres e iguais, mas só em economia”. Ou como se fosse possível apoiar o governo Bolsonaro e ao mesmo tempo ser liberal.

    A demonização do liberalismo é muito prejudicial para o Brasil. Ela atrapalha o debate, gera preconceito contra ideias que dão certo e dificulta o entendimento necessário para derrotar Bolsonaro e reconstruir a democracia. Infelizmente, não há motivo para crer que ela vai acabar tão cedo.

    Publicado em VEJA de 26 de janeiro de 2022, edição nº 2773

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA RELÂMPAGO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.