No governo ainda com muitas vagas do presidente Jair Bolsonaro já há mais militares em cargos de comando do que no último governo da ditadura de 64, o do presidente João Batista de Oliveira Figueiredo.
Dos quatro ministros com gabinetes no Palácio do Planalto, dois são militares – Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Segurança Institucional).
Subordinado a Santos Cruz e alocado em seu gabinete há mais um general: Otávio Santana do Rêgo Barros, ex-chefe do Centro de Comunicação do Exército, desde ontem o novo porta-voz do governo.
E subordinado a Augusto Heleno, outro general: Eduardo Villas Boas, ninguém menos do que o ex-comandante do Exército durante os governos de Dilma Rousseff e de Michel Temer.
Com acesso privilegiado a Bolsonaro, a eles se soma o vice-presidente, general Hamilton Mourão, que despacha em um anexo do palácio. Uma passagem subterrânea liga o gabinete do vice ao do presidente.
Nunca antes na história do país desde a redemocratização em 1985 o Palácio do Planalto tem tanta gente com origem na farda. Sem falar do presidente, um capitão reformado que chegou ali com forte apoio militar.
São os donos da maçaneta da porta de Bolsonaro, todos eles portadores de carreiras exemplares, cobertos de galardões, e supostamente aptos a aconselharem o presidente pelos próximos quatro anos.
Foi por meio de um golpe que os militares alcançaram o poder em 1964, e ali permaneceram por 21 anos. Desta vez foi pelo voto, e por mais que neguem ter apoiado Bolsonaro sentem-se orgulhosos do feito dele.
As impressões digitais do general Villas Boas, o mais influente comandante do Exército do período de quase 14 anos de governos do PT, estão em quase todas as escolhas de militares para servir Bolsonaro em postos importantes.
Villas Boas fez seu sucessor no comando do Exército. Fez o ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva, antes indicado por ele para assessorar o ministro José Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal.
Chefiou os generais Mourão e Rego Barros. Pesou nas nomeações de Souza Cruz e de Augusto Heleno. Mas a grande dívida que Bolsonaro tem com ele se deve a dois episódios que foram decisivos para sua eleição.
O primeiro, quando a então presidente Dilma Rousseff quis decretar o Estado de Sítio no país para tentar salvar-se do impeachment. Consultado informalmente, Villas Boas foi contra.
O segundo episódio, quando o Supremo votou recurso da defesa de Lula para tirá-lo da prisão. Por meio de uma nota divulgada no Twitter, Villas Boas advertiu o tribunal para que não soltasse Lula. Funcionou.






