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Edição genética pode aumentar o risco de câncer, alerta estudo

O CRISPR, nova tecnologia que consegue remover e substituir defeitos genéticos, apresentou em laboratório a criação de tumores como efeito colateral

Por André Lopes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 jun 2018, 18h29 | Atualizado em 12 jun 2018, 20h38

Desde a finalização do Projeto Genoma, no ano 2000, os cientistas estão, ano após ano, dando saltos na compreensão dos segredos da genética. A descoberta mais promissora dessa nova era foi o CRISPR, uma substância originária da defesa imunológica natural das bactérias, que é capaz de identificar trechos específicos do código genético e editar (ou refazer) o DNA em locais precisos. Essa “tesoura genética” foi aclamada como a solução para quase tudo, da malária ao Alzheimer, passando pelo câncer de mama. Contudo, uma descoberta indica que a técnica ainda tem ressalvas. Por exemplo, pode aumentar o risco de câncer. Segundo dois artigos publicados na segunda-feira, 11, no periódico científica Nature Medicine, foram encontraram efeitos inesperados quando o DNA é cortado dentro das células, fazendo com que ficassem descontroladas, gerando um tecido cancerígeno.

A conclusão dos pesquisadores se deu da seguinte forma: existe um grupo de células que possuem um mecanismo próprio para se proteger de uma divisão indiscriminada e para reparar o DNA quando encontram falhas. Isso assegura que todo um tecido celular se mantenha estável, mas torna essas células mais difíceis de editar. O que o estudo descobriu é que ao editar as células que não possuem esse mecanismo pode-se desencadear uma situação em que existe um número maior de células que não conseguem se proteger de danos no DNA. O que, então, poderia acarretar o surgimento de tumores.

“Acreditamos que os pesquisadores precisam estar cientes dos riscos ao desenvolver tratamentos baseados na edição genética”, disse em comunicado o geneticista, autor do estudo, Jussi Taipale, da Universidade de Cambridge. O Instituto de Pesquisa Novartis, em Boston, nos Estados Unidos, que também publicou resultados semelhantes na Nature, enfatizou que existe motivo para cautela, mas não de alarde sobre a tecnologia.

Para a geneticista brasileira Márcia Riboldi, do laboratório de reprodução genética Igenomix, era esperado que efeitos assim surgissem durante a pesquisa do CRISPR: “Tecnologias anteriores também causavam danos ao DNA. A descoberta não foge do comum quando se trata de edição genética. Está tudo em seu início, mas acredito que agora os cientistas tentam uma combinação de técnicas para se certificar que as células alteradas fiquem controladas e não surjam efeitos colaterais indesejáveis”.

Contudo, é importante lembrar que os artigos são baseados em ensaios realizados em laboratório e não experimentos feitos com humanos. O CRISPR ainda está longe de ser explorado comercialmente como uma cura para os males dos genes. Mesmo assim, as novas evidências podem representar um freio nas pesquisas até uma nova solução ser encontrada.

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