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Juízes se manifestam sobre declarações de Joesley: “Infundadas”

Joesley explicou aos procuradores que a fala sobre os juízes foi uma 'bravata', mas que ocorreram pagamentos a um investigador da Greenfield

Por Eduardo Gonçalves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , João Pedroso de Campos Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 Maio 2017, 20h37 • Atualizado em 19 Maio 2017, 20h47
  • Na mesma conversa em que implicou o presidente Michel Temer num suposto esquema para silenciar o ex-deputado Eduardo Cunha, o dono da JBS, Joesley Bastista, também sugeriu que estivesse pagando a dois juízes federais — em suas palavras, “segurando-os”. Na ocasião, ele se referia aos magistrados Ricardo Soares Leite e Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara do Distrito Federal, responsável por quatro operações — Greenfield, Cui Bono, Sépsis e Bullish — que investigam a holding J&F, da qual faz parte o frigorífico JBS. Nesta sexta-feira, com a divulgação de todo o conteúdo da delação premiada dos executivos da JBS, o assunto foi melhor esclarecido pelo próprio empresário. A insinuação não teria passado de uma “bravata”, disse ele à procuradoria.

    O empresário explicou que tentou se aproximar — sem sucesso — do juiz Ricardo Leite, substituto da 10ª Vara, por meio do advogado Willer Tomaz, que se apresentou como amigo íntimo do magistrado. Tomaz foi preso ontem na Operação Patmos. Ele havia sido contratado pela J&F por 4 milhões de reais com a missão de conseguir o arquivamento do inquérito da Greenfield — se conseguisse, seria premiado com mais 4 milhões de reais.

    O empresário contou que chegou atéa  pedir para o advogado marcar um jantar com o juiz, em Brasília, o que no fim não aconteceu. Sobre pagamento de propina, ele foi enfático ao dizer que não aconteceu.  Em relação a Vallisney, o titular da Vara, Joesley não relatou nenhum tipo de aproximação.

    Mesmo assim, diante das suspeitas levantadas com o áudio, a 10ª Vara divulgou uma nota nesta sexta-feira, ressaltando que tomou diversas medidas desfavoráveis a JBS, como o afastamento, a condução coercitiva e o bloqueio de bens de diretores empresa da empresa, o que incluía Joesley — portanto, a acusação seria “infundada”

    “Dessa forma, mostram-se infundadas quaisquer declarações do investigado Joesley Batista sobre eventual interferência na condução das investigações no âmbito da Justiça Federal de Brasília, que prejudique o andamento dos processos ou influencie a independência dos magistrados que atuam na 10ª Vara”, diz o texto.

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    Se a tentativa de influenciar o juiz falhou, o mesmo não se deu com o procurador Ângelo Goulart Vilella, que chegou a integrar a força-tarefa da Operação Greenfield. Joesley relatou que ele recebeu 50.000 reais do advogado Tomaz para manter a diretoria da empresa informada sobre os andamentos da investigação. Numa ocasião, enviou até um depoimento sigiloso da operação ao advogado da JBS. Na operação desta quinta, o procurador foi afastado do cargo e preso.

    Em nota, o escritório de advocacia Willer Tomaz afirma que os “fatos noticiados na mídia serão devidamente esclarecidos no curso das investigações”.

     

     

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