Brasil pode retaliar EUA na área de serviços e patentes, diz embaixador
O programa Ponto de Vista, de VEJA, teve participação de Roberto Abdenur, diplomata e ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos
O programa Ponto de Vista, de VEJA, desta quarta-feira, 23, falou sobre a manifestação do governo brasileiro junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, e sobre a comitiva de senadores que vai ao país para tentar negociar as sanções.
Participaram Roberto Abdenur, diplomata e ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, e o editor de VEJA José Benedito.
Para Abdenur, apesar de a OMC ser hoje um órgão sobretudo para angariar apoio político — e não concreto –, o Brasil atua de forma correta e firme ao atuar em diversas frentes em relação aos Estados Unidos. “O Brasil precisava partir para uma contra ofensiva, fazer uma guerrilha através de uma estratégia incluindo multiplicidade de ações coordenadas em diferentes setores da vida americana, mobilizando sobretudo as empresas americanas que estão sendo e serão terrivelmente prejudicadas”, defende.
O embaixador também classificou como positiva a ida de senadores brasileiros ao país na tentativa de dialogar com representantes do Congresso americano. “É excelente a ida de delegação multipartidária, incluindo políticos da oposição, do governo, do centro, de direita de esquerda, numa representação nacional para dialogar com políticos americanos, sobretudo os democratas, mas também com republicanos que se disponham a ouvir o lado brasileiro”, disse. “O que precisamos fazer, mais do que confrontar o Trump, é infiltrar o lado americano para mobilizar forças que possam induzi-lo a flexibilizar a sua posição”, prosseguiu.
Abdenur pontuou, ainda, que o Brasil é o único país que foi penalizado pelos Estados Unidos com tarifas não apenas por razões econômicas e comerciais, mas sim políticas, e defendeu que o governo brasileiro deve acenar para a possibilidade de retaliação. “Não sobre produtos ou empresas americanos ativos no Brasil (…) o Brasil pode acenar com hipótese de retaliação na área de serviços, de patentes, propriedade intelectual, de direitos autorais, de importação de cultura americana, filmes, música. Isso sim prejudicaria os EUA sem prejudicar o Brasil economicamente”, disse.
Também foram abordados os desdobramentos da resposta de Jair Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes a respeito de descumprimento de medidas cautelares. A defesa do ex-presidente diz que ele não cogitava que estivesse proibido de conceder entrevistas.
A entrevista é transmitida simultaneamente no YouTube e na home de VEJA, e para os inscritos no canal de VEJA no WhatsApp, bem como no serviço gratuito de streaming de VEJA, o VEJA+.
YouTube: https://www.youtube.com/c/veja
Inscreva-se nos canais de VEJA nas redes sociais e fique por dentro de tudo sobre o novo programa.
Facebook: https://www.facebook.com/Veja/
Instagram: https://www.instagram.com/vejamais/






