Vazamento leva Petrobrás a interromper perfuração no Amazonas
O problema foi identificado no último domingo, mas segundo a empresa não há risco à segurança do local
A detecção de um vazamento durante atividades de perfuração na foz do rio Amazonas levou a Petrobras a interromper preventivamente os trabalhos no litoral do Amapá, na região conhecida como Margem Equatorial. O incidente ocorreu no último domingo, dia 4, no poço Morpho, operado por uma sonda em águas profundas. De acordo com a companhia, houve perda de fluido em duas linhas auxiliares conectadas à sonda, o que motivou a paralisação imediata da perfuração como medida de segurança.
Segundo a Petrobras, o fluido liberado foi contido e isolado, sem registro de dispersão no ambiente marinho. As linhas afetadas foram recolhidas à superfície para avaliação técnica detalhada e realização de reparos, etapa considerada necessária antes de qualquer retomada das atividades. Em nota oficial, a empresa afirmou que não há problemas estruturais nem com a sonda nem com o poço, que permaneceriam “em total condição de segurança”.
Embora a estatal tenha reforçado que a ocorrência não oferece riscos à integridade da operação, o episódio ocorre em um contexto particularmente sensível. A Margem Equatorial é considerada uma das fronteiras exploratórias mais estratégicas do país, mas também uma das mais controversas do ponto de vista ambiental, por sua proximidade com ecossistemas frágeis e de alta biodiversidade, além da influência direta do rio Amazonas sobre a dinâmica oceânica da região. Qualquer incidente, mesmo classificado como de baixo impacto, tende a ampliar o escrutínio público e regulatório sobre as operações.
O vazamento, ainda que limitado, reacende o debate sobre os desafios técnicos e ambientais da exploração de petróleo em áreas ambientalmente sensíveis, além de reforçar a importância de protocolos rigorosos de prevenção e resposta. Para a Petrobras, o episódio representa um teste adicional de credibilidade em um projeto que já enfrenta resistência de setores da sociedade civil e atenção redobrada de órgãos ambientais. A retomada dos trabalhos dependerá não apenas dos reparos técnicos, mas também da capacidade da empresa de demonstrar que os riscos estão efetivamente sob controle.






